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Corte de Londres exclui 320 mil vítimas de Mariana de ação contra BHP

Em cumprimento a uma determinação do Tribunal Superior de Londres, o escritório de advocacia Pogust Goodhead (PG), que representa vítimas...

Corte de Londres exclui 320 mil vítimas de Mariana de ação contra BHP

Corte de Londres exclui 320 mil vítimas de Mariana de ação contra BHP.

da Redação

11 maio 2026

Em cumprimento a uma determinação do Tribunal Superior de Londres, o escritório de advocacia Pogust Goodhead (PG), que representa vítimas do desastre de Mariana na Justiça do Reino Unido, está avisando a 320 mil clientes que terão suas ações contra a mineradora BHP descontinuadas. A medida impacta diretamente as vítimas que já firmaram acordos de indenização no Brasil contendo cláusulas de quitação plena e geral, o que, segundo o entendimento da Corte inglesa, impede que sigam com a demanda judicial internacional pela mesma causa. Com essa exclusão, o contingente original de aproximadamente 620 mil autores sofrerá uma redução de quase 40%, restando cerca de 380 mil participantes ativos no processo.

Enquanto isso, as ações movidas por municípios, autarquias e instituições que integram o processo contra as mineradoras continuam sendo avaliadas pelo Supremo Tribunal Federal. Em recente declaração, o ministro Flávio Dino decidiu que os municípios brasileiros podem celebrar acordos em território nacional sem necessidade de autorização da Justiça inglesa.

Paralelamente à decisão da corte britânica, o escritório enfrenta um desgaste reputacional por conta de um mar de queixas de pessoas que integravam a ação no Reino Unido e até agora não receberam nada. De acordo com dados de monitoramento nas redes, houve um aumento de 1.087% nas críticas digitais contra o Pogust Goodhead apenas entre dezembro de 2025 e fevereiro de 2026, com o volume de comentários negativos saltando de 60 para 712. A principal queixa é categorizada como “Enganação/Fraude”, representando 28,9% do total das menções. O perfil dos insatisfeitos, conforme relatos externos colhidos em redes sociais, é composto majoritariamente por idosos e enfermos que sentem-se enganados pela banca de advogados ingleses.

A frustração dos atingidos é expressa em críticas diretas à conduta e à transparência dos advogados em relação ao prazo de julgamento da justiça de Londres. Um dos reclamantes questionou a estratégia do PG: “Uma pergunta acho que de muitos, vcs sabiam desde o começo sobre isso, porém não falaram para não esvaziar o processo na Inglaterra… Muitos poderiam ter assinado o PID ou outros programas, mas devido estar e confiar na ação de vcs agora estão desertados…”. Outros apontam a falta de pagamentos antecipados, contrastando com a remuneração do próprio escritório: “Quem realmente precisa da indenização que são os atingidos não está recebendo nada de adiantamento de valores e o escritório da Pogust já irá receber adiantado…”. Há também um sentimento de desistência diante da demora: “Tá demorando demais acho que aceito o PID agora … 2028 ? Agora eu quero o pid”.

A comunicação com os clientes afetados está sendo feita exclusivamente por e-mail, onde os atingidos devem confirmar se receberam os valores acordados nos programas brasileiros. Embora a BHP já tenha sido considerada responsável pelo rompimento da barragem, o processo em Londres entra agora na Fase 2, ainda voltada para a avaliação e quantificação dos danos, com julgamento previsto para abril de 2027. Ou seja, quem optou por ser indenizado pela Justiça de Londres, vai ter que esperar ainda mais.

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