13 maio 2026 |

Notícias com qualidade e segurança

Artigos

Nenhum dos dois (Por Germano Oliveira)

BRASIL EM FOCO As pesquisas eleitorais apontam um empate técnico entre Lula e Flávio Bolsonaro caso as eleições fossem realizadas...

Nenhum dos dois (Por Germano Oliveira)

Nenhum dos dois (Por Germano Oliveira).

da Redação

17 abril 2026

BRASIL EM FOCO

As pesquisas eleitorais apontam um empate técnico entre Lula e Flávio Bolsonaro caso as eleições fossem realizadas hoje, a seis meses do pleito. Caso esses números se mantenham na prática, no primeiro turno, a ser registrado no dia 4 de outubro, os dois deverão passar para o segundo turno em 25 de outubro, mantendo viva a polarização entre a esquerda e a direita. E isso não muda nada na política brasileira nos últimos 30 anos: o PT sempre enfrenta um candidato mais à direita, num processo cansativo e desgastante para a democracia brasileira, que já não aguenta mais esse eterno Fla-Flu. E, o pior, é que nesse jogo modorrento quem perde é o eleitor e o cidadão brasileiro, que não consegue ver os políticos avançarem em soluções para os velhos e repetitivos problemas nacionais. A sociedade, portanto, cansou dessa disputa.

Muito bem. O rançoso embate entre esquerda e direita vem desde o início da redemocratização, em 1989 (Lula x Collor). Se repetiu com FHC contra Lula (em 1994) e voltou a acontecer em 1998 (FHC x Lula). Até aí, sempre com a vitória da centro-direita. Depois veio o período de vitórias da esquerda. Lula, pela esquerda, venceu Serra, pela centro-direita, em 2002; e o petista tornou a derrotar a centro-direita de Alckmin, em 2006, apesar do mensalão que desgastou o PT.

E o período de vitórias da esquerda contra a centro-direita permaneceu com a vitória de Dilma contra Serra, em 2010; e se repetiu na derrota de Aécio contra a esquerda de Dilma em 2014. O PT só não se manteve no poder em seguida porque Dilma foi incompetente com sua política econômica e sofreu impeachment em 2016, dando espaço para a centro-direita de Temer voltar ao poder.

A extrema direita destruiu o País

Fernando Haddad e Jair Bolsonaro. (Fotos: Reproduções)

Mas a prisão de Lula em 2018 levou Haddad para o sacrifício nesse ano, com a derrota para a extrema direita de Bolsonaro. O bolsonarismo não só tirou a esquerda do poder, mas também fez um governo que destruiu as instituições do país e enterrou os principais avanços até então da cidadania, como a economia, a cultura, a saúde, a educação e o meio ambiente, entre outras coisas. Levou o País para o caminho do golpe militar, culminando no 8 de janeiro de 2023.

Antes da tentativa de golpe, porém, veio a nova disputa da esquerda de Lula contra a extrema direita de Jair Bolsonaro em 2022, e o petista só venceu porque recebeu o apoio do centro da senadora Simone Tebet. O fato, porém, é que o esquerdismo de Lula virou novamente opção do eleitorado para derrotar as ideias retrógradas do bolsonarismo.

Mas será que agora, em 2026, vamos ter que engolir novamente o embate entre a esquerda e a extrema direita? Sim, vamos. E, mais uma vez, ficaremos sem opções. Teremos que votar na esquerda para fugir de um governo que promete entregar nossas riquezas para Trump e fazer um governo que vai dar anistia para todos os que tentaram resgatar os tempos de horror da ditadura militar.

Lula e Flávio Bolsonaro. (Fotos: Reproduções)


O fato concreto é que não temos nenhuma opção entre Lula e Flávio. Seria risível se considerássemos a candidatura de Ronaldo Caiado como opção para a terceira via. O ex-governador de Goiás é tão nocivo quanto Flávio. Ele é um lobo com pele de cordeiro.
Na década de 80, quando disputou a presidência pela primeira vez, ele era presidente da UDR (União Democrática Ruralista), que defendia massacres de sem-terras, que os fazendeiros armados expulsassem militantes do MST de suas fazendas, entre outras coisas.

Hoje, quarenta anos depois, ele não mudou muito, não. É o mesmo apoiador das teses da extrema direita, como a anistia para os golpistas.

Portanto, os que gostariam de ter uma opção entre a esquerda e a direita hoje só têm uma opção: votar em branco ou anular o voto. Essa é a triste realidade da polarização política das últimas quatro décadas.

*Germano Oliveira é diretor do BRASIL CONFIDENCIAL.

Recomendados