da Redação
22 abril 2026
*Moisés Rabinovici
O cessar-fogo com o Irã foi estendido antes de expirar e deverá vigorar até que o governo iraniano apresente uma proposta para o fim permanente da guerra.
Os Estados Unidos não atacarão o Irã nem relaxarão o bloqueio do Estreito de Ormuz. A decisão foi anunciada pelo presidente Donald Trump, que tenta se afastar de uma guerra que o desgasta nas pesquisas e pressiona a economia americana e global.
Trump afirmou que a prorrogação sem prazo do cessar-fogo foi decidida após pedido do Paquistão. As delegações dos EUA e do Irã eram esperadas hoje em Islamabad para uma segunda rodada de negociações. O vice-presidente JD Vance adiou o voo ao saber que Teerã não compareceria — “seria uma perda de tempo”, segundo a agência semioficial Tasnim.
“Considerando que o governo do Irã está seriamente dividido — o que não é de se estranhar — e a pedido do marechal de campo Asim Munir e do primeiro-ministro Shehbaz Sharif, fomos solicitados a adiar nosso ataque até que seus líderes apresentem uma proposta unificada”, escreveu Trump na Truth Social.

Ele acrescentou: “Instruí nossas forças armadas a manter o bloqueio e permanecer prontas. Prorrogarei o cessar-fogo até que a proposta seja apresentada e as discussões concluídas, de uma forma ou de outra.”
O Irã alegou que as exigências americanas e a manutenção do bloqueio naval em Ormuz inviabilizaram sua participação nas negociações em Islamabad.
O comandante da Força Aeroespacial da Guarda Revolucionária, Majid Mousavi, ameaçou países do Golfo, segundo a agência Fars: “Se sua geografia e instalações forem usadas contra o Irã, deverão dizer adeus à produção de petróleo no Oriente Médio.”
Israel já demonstrava ceticismo quanto a um acordo e se preparava para retomar a guerra. Nas comemorações dos 78 anos de independência, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu afirmou que “o regime dos aiatolás planejava um holocausto contra o povo judeu” e comparou as instalações nucleares de Natanz e Fordow a Auschwitz e Treblinka.
Um oficial de segurança sênior disse à agência pública Kan: “Os iranianos tentam ganhar tempo e falam em várias vozes. Nós e os americanos estamos coordenados e prontos para retomar a guerra imediatamente.”
No Líbano, o cessar-fogo foi violado por Israel e Hezbollah, que trocaram acusações. Foguetes atingiram áreas ocupadas por tropas israelenses, embora direcionados a uma posição de artilharia em Kfar Giladi. Israel, por sua vez, matou militantes que teriam ultrapassado a “linha amarela” definida na trégua.
Israel e Líbano têm encontro marcado em Washington, na quinta-feira, para avançar nas negociações por um cessar-fogo duradouro e a normalização das relações entre os dois países, em guerra desde 1948.
*Moisés Rabinovici é jornalista brasileiro com carreira marcada por atuação internacional e inovação digital. Como correspondente de imprensa, atuou em Israel, Europa e Estados Unidos.
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